IX Congreso Ibercom - El espacio iberoamericano de Comunicación en la Era Digital


Noticias: 25/10/2006 - Emisión online del Congreso Ibercom desde atei.es todas +

 

 

 


IX Congreso Ibercom - El espacio iberoamericano de Comunicación en la Era Digital
Anabela Gradim (leer comunicación)

Jornais portugueses online: reflexões sobre um modelo de negócio

Anabela Gradim

Professora Auxiliar na Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal.
agradim@ubi.pt

Grupo de Trabajo: Periodística.
IX Congreso IBERCOM
Sevilla-Cádiz, 2006.

O presente trabalho apresenta um estudo sobre os jornais portugueses que passaram, nos últimos anos, a oferecer cumulativamente edições on-line, e entre esse grupo, sobre os dois pagos que existem no país: Expresso e Público online. O objectivo é classificá-los de acordo com a tipologia de Pavlick, e estimar o impacto económico – ou falta dele – que estas versões digitais têm no conjunto das actividades do jornal. Verificar-se-à que o prejuízo é a regra, e que ainda está por descobrir um modelo de negócio aplicável aos jornais on-line que replicam edições de papel – um que resulte, trazendo lucros em vez de perdas. Investigar a natureza e possibilidades desse modelo de negócio, que se poderia revestir da forma de uma combinação de pay-per-click e click-per-view, ou recorrer ao agenciamento (syndication) de conteúdos que permitisse o recurso ao micro-pagamento, bem como apresentar o estado da arte dos principais jornais portugueses on-line constitui o escopo deste artigo. Os jornais on-line vêm alimentando um paradoxo sem saída à vista: na sua grande maioria, estão a oferecer de graça aquilo que também vendem. É um verdadeiro catch-22: os jornais entenderam que não podem dar-se ao luxo de não marcar presença na Internet, mas no novo medium os utilizadores parecem pouco disponíveis para pagar conteúdos. O resultado é que no caso dos jornais digitais portugueses, 80% estão a oferecer aquilo que também vendem, e os restantes 20% que o não fazem continuam a acumular prejuízos. Assim, quando procuramos pensar um modelo de negócio para os jornais on-line, reflectimos sobre algo que a indústria há anos, sem sucesso, busca. Falamos pois de algo que não existe, mas que poderia e deveria existir – embora ainda ninguém tenha descoberto exactamente como torná-lo possível. Uma coisa é certa, não se enganam os jornais quando decidem – a todo o custo, ou seja, sem custo nenhum -- marcar presença na internet: há aí um imenso mercado a explorar. Em alguns casos, o número de acessos às edições digitais pouco deve à circulação em papel do mesmo produto. Ora, o que se verifica é que os jornais clássicos, além de ofertarem os seus conteúdos, alimentam graciosamente apontadores – como o google.news – algo que poderiam muito bem deixar de fazer se decidissem ganhar dinheiro. O modelo tradicional de negócio nos jornais clássicos é bem conhecido: as notícias são pagas ou pelos anunciantes, ou pelos seus leitores. Na generalidade dos casos, por ambos, com ênfase para os primeiros nos matutinos ink-stained. Uma aplicação deste modelo à versão on-line dos jornais tradicionais é aquela que tem sido tentada sem grande sucesso – ou porque os anunciantes se mostram relutantes em pagar pixeis, ou porque não é possível vencer a relutância do leitor em pagar um produto – conteúdos – que é oferecido gratuitamente numa míriade de outros sites. No entanto, algumas alterações nestes dois modos de fazer as notícias pagarem-se a si próprias poderiam contribuir para optimizar os recursos à disposição dos jornais digitais… e se esse aumento de recursos fosse reinvestido nos sites, constituir um passo decisivo para a entrada dos jornais portugueses na terceira fase do jornalismo on-line tal como foi concebida por Pavlick.